STATIONCRITIC: Gina Blair e sua viagem experimental em ''Intergalática''.

Gina Blair é um dos nomes mais antigos da música virtual, inicialmente cantando músicas em inglês e sendo a primeira artista oddcast da plataforma The Sims a surgir, a cantora foi conquistando seu espaço aos poucos, tendo uma pequena passagem pelo Second Life, porém voltando para sua plataforma inicial logo em seguida e vários álbuns nas costas. 

Mas, de 2014 para cá, a carreira de Gina decolou de forma grotesca, seu comeback para o The Sims depois de um tempo de hiato da plataforma e da carreira foi com o álbum "O Mundo é Meu", iniciado pelo videoclipe da faixa de mesmo nome, e isso foi o suficiente para que o álbum se tornasse um verdadeiro sucesso. 

Depois do sucesso do disco, Vagininha começou uma nova fase na sua carreira, "Profana" foi o primeiro single do seu disco "Glory Hole" e a faixa e seu respectivo videoclipe lhe garantiram 7 gramofones no Grammy Station 2016. Tudo parecia estar definido para que o álbum fosse um grande sucesso, mas a enrolação e o descaso final do disco acabaram o prejudicando, fora que o material como um todo não cumpriu a todas as expectativas. 

Ao final de uma era conturbada, a cantora deu uma grande pausa em sua carreira, voltando apenas no final de 2016 com os singles promocionais "Sereia Urbana" e "Festa Espacial" com a participação da cantora Emmy Johnpson, mas o álbum em si só chegou mesmo no segundo mês desse ano. "Intergalática" é um disco experimental na carreira de Gina, que nunca havia experimentado tanto a temática quanto a sonoridade do material e veio com a tarefa de recuperar o nome da cantora, que ficou apagado depois do esquecimento de "Glory Hole" no churrasco.

01. Contração Muscular
O álbum inicia-se com o primeiro single de trabalho do mesmo, “Contração Muscular”. Já de imediato somos apresentados a toda proposta geral do material. “Contração” é uma faixa totalmente voguing, dançante e até agressiva. Na música a cantora relata os maiores e variados tipos de prazer que sente junto a seu parceiro. “O prazer será tão grande e tão longo, que se tornará uma contração muscular”. Uma ótima abertura e que, consequentemente, leva a canção a ser um dos pontos mais altos do disco.

02. Sereia Urbana
A faixa seguinte, “Sereia Urbana”, continua mantendo o hype da faixa anterior, até sendo um pouco mais agressiva. Atenuando-nos com uma letra cheia de metáforas sobre relações sexuais, consumismo e exibicionismo. Mesmo não sendo um destaque tão grande no disco, a produção da canção não se abala, fazendo jus a todo o conteúdo apresentado na mesma e ainda nos dando “pitacos” do conceito geral do álbum.

03. Leo Sign
Prosseguindo o disco, temos a primeira faixa que carrega a vibe radiofônica do disco, com uma instrumental eletrônica que flerta bastante com a música pop que faz sucesso nas rádios hoje em dia. Na letra, Gina fala que se apaixonou por um homem do signo de leão e abusa de diversas figuras de linguagem para enaltecer as qualidades do homem já citado. "O seu ascendente acabou completamente comigo, eu ainda pensei que poderíamos ser amigos, mas eu estava longamente enganada quando caí em seu jogo, era tudo uma cilada".  A produção da faixa não é uma das que se destacam no disco, mas a faixa se torna um grande ponto do material graças a composição e sua instrumental.

04. Festa Espacial (ft. Emmy Johnpson)
“Festa Espacial”, música de número quatro na tracklist volta para o lado mais frenético do disco. Dando-nos um ar da boa e velha “disco music” dos anos 70, a faixa é dançante e bastante agitada. O conteúdo da letra nos apresenta alguns temas como sexo, festas, poder, exibição, o que particularmente sempre encontraremos em festas. Mas como estamos falando de uma “Festa Espacial” tudo isso acaba se tornando bastante surreal. A participação da veterana do simbook e mais nova integrante do oddcast Emmy Johnpson só deu pontos a música.

05. Atrito Cósmico
Se mantendo na vibe mais agressiva, temos "Atrito Cósmico". A instrumental da faixa se faz bem presente e até lembra "Bitch I'm Madonna" em seu refrão, mas se apaga graças a letra e produção que são bem medianas. A produção da faixa peca no uso de efeitos, principalmente no refrão, onde a voz da cantora é abafada e fica mais baixa que a instrumental; já a composição não ganha muitos pontos pelas repetições desnecessárias e alguns erros de ortografia. 

06. Perdendo o Controle
Mais uma faixa que apresenta o experimentalismo presente no disco, “Perdendo o Controle” é uma faixa bastante semelhante às duas primeiras do mesmo. “Deslizando o meu corpo até o chão, sinto uma grande satisfação, um desejo completamente encoberto, de uma perfeita grande ilusão”. É uma faixa mediana em relação as outras do disco, no entanto a composição ganha bastante pontos pelas metáforas e partes bastante elaboradas feitas pela cantora, cumprindo seu papel.

07. O Que Você Fez Pra Mim (Vogue)
Esta pode ser a faixa mais agressiva do disco, porém, não graças a sua instrumental, e sim sua composição. Com uma letra falando sobre a grande hipocrisia vista no mundo virtual em geral, a produção e a instrumental voguing contribuem bastante para a faixa se tornar um grande destaque do disco. 

08. Rocket 9000 (ft. Tryn Electro)
Esta aqui já foi até confirmada como segundo single do material, e com razão, afinal, seria um grande desperdício um hino desses não ter videoclipe. A faixa carrega uma instrumental bem frenética, uma composição potente e agressiva e uma produção bem detalhada que e encaixa perrfeitamente os espaços entre a voz da cantora e os samples da instrumental. "Alô, o meu nome é Gina Blair. Eu estou em uma galáxia muito distante, voando dentro da nave número nove mil. Estou buscando dominar novos mundos, destruir todos os meus inimigos e me drogar em uma after party [...]".

09. Miami Connection
Temos aqui um dos maiores destaques do disco, “Miami Connection” é dançante, contagiante e bastante agressiva, conseguindo cumprir seu papel dentro do material. Na letra, a cantora fala sobre uma viagem totalmente surreal à Miami, onde tudo é apontado de uma maneira totalmente metafórica. “Todas aquelas garotas são tão inocentes, precisam aprender a querer crescer. Toda vez que as olho fixadamente, vejo, em seus olhos, crimes eminentes”. A produção em colaboração com a também cantora Van Vogue nós deu pontos positivos para a mesma, nos dando uma faixa totalmente sólida e que consegue brilhar.

10. Blur (ft. Vanessa Clark)
Encerrando a versão standard do disco, temos um de seus grandes destaques. "Blur" tem uma instrumental mais radiofônica do disco e uma produção que não carrega tantos efeitos, mas se mantém impecável. A composição, feita em colaboração com a cantora Lexie Stone, é o ponto mais alto da canção. Ao lado de Vanessa Clark, a cantora fala sobre um relacionamento longínquo que está, aos poucos, se desgastando, mas a canção carrega uma bipolaridade quando a cantora confessa que, mesmo com todos os problemas que rondam o casal, ainda ama o homem com quem conversa durante toda a letra. "Estamos estagnados na mesma posição, sem nenhum objetivo para alcançar. E o nosso prazer já foi todo embora, mas o blur dos meus olhos não me deixa enxergar. Enxergar que eu te amo, enxergar que eu preciso de você, enxergar que eu sinto a sua falta e que eu não sei mais o que devo fazer".

11. Buraco de Minhoca (ft. Zhutrão & Michele)
Iniciando a versão deluxe do disco, somos apresentados por “Buraco de Minhoca”, com participação de Zhutrão e Michele. A faixa apresenta algumas metáforas bastante interessantes, sendo uma delas a que encaminha todo o conteúdo da canção, onde temos a junção de questões sexuais e características especiais, e até mesmo em alguns momentos onde a mesma consegue soar romântica (sim, isso mesmo). É um grande destaque do disco, tanto por sua composição, quanto por sua produção, que abusou de efeitos e detalhes que só arrecadaram pontos para a música.

12. Imploro (ft. Lexie Stone)
Continuando o disco, temos uma das melhores faixas de todo o álbum. "Imploro" tem o conjunto da obra perfeito, a produção e instrumental perfeitamente coesas e uma composição bem estruturada e fácil de se gravar. Na letra, Gina e Lexie falam sobre um homem que conheceram em outro planeta durante sua viagem intergalática e com quem mantiveram relações sexuais por um tempo. "Eu viajei para o seu mundo, estava procurando mais diversão. Encontrei um príncipe encantado que habitava outra dimensão. De dia ele parecia um príncipe, à noite eu queria mais contração. Sempre quando eu implorava, a fera do príncipe entrava em ação [...]".

13. Elixir
Finalizando a versão deluxe e todo o material, “Elixir” consegue cumprir o seu papel, encerrando o material em grande estilo, com um hype totalmente dançante, que presenciamos em todo o álbum. A composição da faixa é uma das de maior destaque do disco “Seja meu elixir, me machuque, me faça querer existir”, assim como sua produção, que mantem a faixa no alto. Terminando o projeto com tudo, a canção poderia estar facilmente também na versão standard do álbum, assim como as outras da versão Deluxe.

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Que Gina Blair é um grande nome do mundo virtual nós não temos dúvidas, mas com tantos contratempos que preencheram sua carreira no último ano que passou, incluindo a enrolação e a desorganização da era "Glory Hole", a cantora precisava se reinventar, e foi exatamente isso o que ela fez.

"Intergalática" é um disco totalmente experimental na carreira da cantora, trazendo uma sonoridade frenética e outra mais eletrônica, mas conseguindo unificar as duas em um belo projeto musical que, excetuando alguns deslizes, foi muito bem sucedido. Preenchido por treze faixas, onde uma grande maioria carrega um imenso potencial para tomar à frente da divulgação do álbum no futuro, Gina provou mais uma vez, sem nem precisar provar mais nada, que sabe fazer ótimos discos quando se deixa levar pela inspiração e não pela pressa. Que continue assim!