Todos os anos, novos artistas surgem no mundo virtual buscando reconhecimento e status no meio dessa comunidade tomada por veteranos que esbanjam talento e criatividade. E muitos desses novatos impressionaram bem cedo, com seus materiais de estreia, o que fez com que muitos outros também quisessem tentar alcançar o mesmo mérito, e um desses nomes é Krystal Wayne.
Krystal chegou de mansinho no mundo virtual com a faixa "Meu Corpo" e logo foi contratada pela Kleine Huren Records para dar início aos trabalhos do seu disco de estreia. E, cerca de sete meses depois do seu debute, ele chegou até nós.
"Vox Animae" é o primeiro álbum de estúdio de Krystal Wayne pelo selo da Kleine Huren, e, como o nome já adianta, tem o foco principal em expressar tudo o que a "voz da alma" de Krystal sente. De início, pode parecer interessante receber um álbum tão pessoal e expressivo vindo de uma novata que ainda não conhecemos ou sabemos sobre quais estilos ela irá seguir, mas não se engane: é apenas um personagem.
01. Vox Animae (Intro)
O álbum é aberto pela faixa título, que, na verdade, não passa de uma intro desnecessária que não pode nem ser considerada uma interlude de tão curta que é. Os 40 segundos de "Vox Animae" são completamente dispersos e, apesar da instrumental parecer bem promissora, não foi bem aproveitada. Não foi uma maneira muito boa de se abrir um disco, mas não fechamos a aba só por curiosidade.
02. Mundo Perdido
Ultimamente, muitos artistas têm usado suas músicas para expressar toda a sua indignação com a nossa sociedade atual, e é exatamente isso que Krystal faz em "Mundo Perdido". O bom dessa faixa é que ela, assim como todas as outras que seguiram essa temática mais crítica, tem sua individualidade, mesmo se tratando de um tema que já foi usado antes por mais de um artista. Em seus versos, Wayne não esconde sua revolta com tudo o que está acontecendo no nosso mundo atualmente, como os ataques terroristas, corrupção, e outros afins. "Mundo Perdido" tem uma bela instrumental, mas, a produção da faixa não traz nada de surpreendente, porém, não chega a ser ruim. É uma canção que você não desgosta, mas também não gosta o suficiente para dar replay.
03. Seja Feliz (Como Você É)
Dando continuidade ao álbum, Wayne nos traz a motivacional "Seja Feliz (Como Você É)", que, durante todo o seu período de duração, canta sobre autoaceitação e faz uma crítica aos estereótipos criados pela sociedade sobre o que é bonito e feio ou certo e errado. Apesar de ser um tema bem expressivo, a composição não é um dos pontos fortes da canção, que fica, novamente, para sua instrumental. A produção acaba ficando para trás por ser bastante simples, visando que a instrumental praticamente exige por algo mais trabalhado e profissional. No geral, eu daria replay apenas pela instrumental.
04. Medo
Em seguida, temos a controversa "Medo". Por um lado, a faixa tem uma instrumental maravilhosamente obscura cheia de sintetizadores que aniquilariam os nossos corações se tivesse uma produção bem trabalhada, mas, o problema é justamente esse: ela não tem. A composição de "Medo" casa perfeitamente com a instrumental, e é um dos pontos fortes da canção, mas a produção novamente deixa a desejar. A essa altura do campeonato, já deu para perceber que o quesito produção não é um dos pontos fortes de Krystal, mas isto fica nítido quando você ouve essa faixa pela primeira vez e nota a enorme desorganização na timeline. Poderia ser um dos pontos fortes do álbum, se estivessem realmente se esforçado para caprichá-la.
05. Caçadores de Almas
Logo após, temos o maior ponto do álbum até aqui. "Caçadores de Almas" é o primeiro grande acerto do disco, com uma letra cheia de mensagens subliminares usando o termo "caçadores de almas" para representar o governo que faz de tudo para manter a sociedade alienada, escondendo informações e "tampando o sol com a peneira", como diz o ditado popular. "Caçadores de Almas" mostra uma evolução na produção de Krystal, que acompanha perfeitamente o ritmo da instrumental marcante que a música carrega. *Merece um clipe*
06. Promessas
Parece que o álbum está ficando melhor agora, não é mesmo? "Promessas" é um puta rock com uma letra pra-lá-de-ótima e uma produção que deixa a faixa mais arrematadora. Com acordes de guitarra e sons de bateria ao fundo, nesta canção, Krystal liga para o homem que a decepcionou e deixa um recado bem indesejado na sua secretária eletrônica, o criticando por tudo o que ele fez com ela e sua família e cobrando todas as promessas que ele havia a feito. O destaque fica para as frases finais: "Alô? Bastardo filho da p#!@".
07. Seja Feliz (Como Você É) [Versão Acústica]
A próxima faixa é uma versão acústica desnecessária de "Seja Feliz (Como Você É)" que só está aqui para encher linguiça. Não há nada de novo ou de surpreendente que dê pontos a esta faixa, Krystal poderia ter guardado essa versão para usar em uma live qualquer, ficaria bem mais interessante. O mais triste dessa história é que essa faixa vem logo depois das duas melhores canções do disco e corta toda a positividade que estávamos colocando em cima do álbum, que, aliás, demorou para ser conquistada.
08. A Cura
Voltando as faixas inéditas, temos "A Cura". A faixa levanta um pouco o hype do álbum, que a faixa anterior havia deixado cair bruscamente, mas fica apenas no mais ou menos. A instrumental faz jus ao repertório das anteriores e a produção é superior a das quatro primeiras faixas, mas é barrada na porta ao tentar se juntar com as outras duas no ranking das melhores do disco por conta da composição. Apesar de ser boa e trazer uma boa mensagem sobre autoaceitação e sobre desistir de alguém que lhe faz mal, não é uma letra que chame atenção como a de "Caçadores de Almas" ou até mesmo de "Medo", enfim, se o tema fosse melhor explorado e trouxesse algumas mensagens implícitas, como algumas faixas fizeram, seria um dos pontos mais altos do álbum.
09. Coração Indeciso
"Coração Indeciso" foi o segundo single de Krystal no mundo musical, sucedendo o promocional "Meu Corpo", quando ainda era do IMVU, mas não é uma boa faixa. Como na maioria das faixas, a instrumental é o único ponto que realmente chama atenção. A produção ficou bem precária e a composição é fraca comparada as outras, que raramente beiravam o ótimo, mas ficavam no mais ou menos. Enfim, next.
10. Paraíso
Fechando o disco, temos uma das faixas mais decepcionantes do material. "Paraíso" tem uma composição fraquíssima, que chega a ser forçada quando Krystal tenta fazer referências super no sense para elogiar o homem pelo qual está apaixonada, e a produção é o único ponto que consegue chamar um pingo de atenção. Pela primeira vez, a instrumental deixa a desejar. Não por ser ruim, mas, sim, por ser conhecida. Detesto quando artistas apelam para instrumentais conhecidas de músicas aclamadas no mundo real porque só existem dois motivos para querer fazer isso: 1. Porque está com preguiça de procurar por uma instrumental original; 2. Porque está a fim de hitar (algo que, na maioria das vezes, não acontece ~experiência própria~). "Paraíso" não é uma canção digna de fechar um disco que teve faixas como "Promessas" como um dos pontos mais altos de seu repertório.
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"Vox Animae" é um disco que veio para dizer tudo o que "a voz da alma" de Krystal sente e nos apresentar sua personalidade, mas, acabou nos apresentando um alter ego que a mesma criou para pôr a boca no trombone no seu lugar. Todas as composições (até mesmo as que não estão boas) cumprem o seu papel de representar um pedaço da alma da personagem, expressando suas angústias, medos e revoltas, mas a produção do disco acaba o deixando para trás, na maior parte dele. Com apenas dois grandes momentos, o destaque do disco realmente ficou para suas instrumentais que, em sua maioria, são marcantes e dariam belos smash hits se as faixas tivessem sido melhor trabalhadas e caprichadas.
Não dá para menosprezar o esforço de Krystal Wayne em tentar nos impressionar, usando letras profundas e expressivas para tentar chamar atenção de um certo público, que cada vez mais vêm se aumentando no meio virtual, mas talvez ela tivesse se saído melhor se tivesse tentado impressionar a si mesma antes de tentar chamar a atenção das massas. Prova disso é a letra da canção "A Cura", que, apesar de não ser uma das melhores do disco, é a única que realmente expressa uma parte da verdadeira Krystal, enquanto as outras apenas representam um personagem criado para dar fundamento ao disco, o que mostra que o maior forte de Wayne não é representar um alter ego, e sim a si mesma, que foi justamente a personagem que ela deixou de lado durante todo esse período.

